Fábrica movida pelo vento

O aero gerador de energia eólica

O aero gerador de energia eólica

Para termos o conforto de luzes acesas, chuveiros e uma parafernália de eletrodomésticos, há um preço pago pela natureza. E um preço alto. Na ponta oposta, bem distante dos nossos olhos, há a violência de águas represeadas, que alteram ecossistemas inteiros para gerar energia que acende a luz sob a qual você, talvez, esteja lendo neste momento. Ou mesmo as termoelétricas, cujos resíduos da combustão despejados na atmosfera contribuem para o aquecimento global.

Se Dom Quixote fosse real e pudesse ver os moinhos que os homens modernos estão produzindo, nem mesmo ele poderia prever que existem para salvar o planeta. E nesta tecnologia de geração de energia a partir dos ventos, chamada eólica, também há uma enorme contribuição de uma tradicional empresa rio-clarense.

Fundada pelo empresário Celestino Kemerer, no mercado de plásticos há 34 anos, há dois a Ancel produz as carenagens para os motores dos aerogeradores de energia eólica.

Fabricados pela empresa alemã Wobben, os aerogeradores, que dão aquele toque futurista à paisagem, sem agredi-la, estão presentes no Brasil em regiões de grande potencial eólico, como no Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e no Norte do país (Ceará, Paraíba e Maranhão).

Ao passear pelos barracões da Ancel, o cenário parece o de uma ficção futurista: inúmeros trabalhadores lixam, moldam e pintam enormes peças feitas em compósitos, uma mistura de plástico e fibra de vidro.

Família Kemerer, na planta de montagem da Ancel

Família Kemerer, na planta de montagem da Ancel

Gustavo Kemerer, diretor comercial da Ancel, não esconde sua satisfação em colocar em prática algo que, ao mesmo tempo em que gera empregos e lucro, contribui com a preservação ambiental.

“Foi e é um desafio fascinante. Fomos procurados pela direção da Wobben há dois anos para produzir estas carenagens. De lá para cá, os pedidos só aumentaram.”

Para atender à empresa alemã, a Ancel segue um padrão rigoroso de procedimentos e conta com a presença constante de um técnico da Wobben na inspeção e controle das peças.
Antes deste trabalho para a Wobben, a Ancel participou da implantação do parque eólico de Beberibe, no Ceará, e agora se prepara para trabalhar em conjunto com a Wobben no Vale dos Ventos, localizado na Costa Rica. “Nossa intenção é, futuramente, produzir também as pás, que chegam a medir 80 m de comprimento e envolvem um processo delicado e preciso.” Para colher ainda mais bons ventos, a empresa rio-clarense está construindo sua nova unidade fabril, localizada no Distrito Industrial.